Exposição – A Casa

A Casa

Era uma casa muito engraçada. Vinícius de Morais, autor do poema que virou canção , já falava da criação de um espaço que deveria ser o de um lar, mas que é repleto de estranhamento, de elementos faltantes, da própria ausência de praticidade esperada do ambiente doméstico. Mas, apesar de tudo isso, o bordão da letra repete que ela era feita com muito esmero, na rua dos bobos número zero.

Transplantando essa ideia para a arte contemporânea, podemos pensar na exposição A Casa como o compartilhamento desse espírito de estranheza. Ao mesmo tempo, lúdico e dramático, questionando os materiais e formas da construção artística, pensando os limites entre arte e design, a arte contemporânea permite leituras não convencionais e instigantes dos objetos e dos pensamentos acerca do mundo.

Aqui, obras da coleção do MAC USP estão distribuídas não por ordem cronológica ou autoral, mas pela representação dos papéis que cada uma cumpriria em sua função de domesticidade. Essa ordem caseira seria possível, por exemplo, caso o sofá de Regina Silveira fosse feito para sentar, ou a vitrola de Iran do Espírito Santo fosse pensada para tocar discos. Ou ainda as escumadeiras espetadas no cordeiro, de Alex Flemming, fossem feitas para fritar, utilizando para isso o fogão de Alex Vallauri.

 

Mas essa casa muito engraçada não fala de decoração, design ou do funcionamento de um lar, e sim de arte. E, sendo assim, cada elemento dentro dela nos surpreende e contraria as expectativas em relação a um objeto que poderia ser útil mas não o é. Vale a pena lembrar aqui que a arte não vive ao serviço da praticidade. Ao contrário, ela negocia com as coisas do mundo, questionando sua existência e negociando com suas formas de materialização.

A Casa faz parte da pesquisa intitulada Temas da Arte Contemporânea. O estudo leva em conta a ideia de que, durante a história ocidental, até o final da chamada era da arte moderna, em meados do século XX, a sistematização predominante para o ensino e a apresentação da arte era feita cronologicamente, isto é, seguindo uma lógica temporal. Hoje, com o anunciado “fim da arte”, ou melhor, o “fim da história da arte”, as propostas de apreciação e aprendizado podem ser realizadas sob uma variedade de recortes, com temporalidades, temas e enunciados diferentes e muitas vezes justapostos.

Resta ao espectador perceber que nessa casa estranha e engraçada há um consistente esmero na criação de obras que nos fazem justamente repensar o uso e as funções das coisas e do próprio status da arte hoje.

Katia Canton
curadora

MAC USP Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 – São Paulo-SP, Brasil
Horário de funcionamento:
Terça a domingo, 10 às 18 horas
Segundas: fechado

Parque com obras de Portinari

O objetivo das instalações dos painéis é associar as obras do artista com o espaço que homenageia o pintor.

E além de contemplar as obras, você aproveita o dia no parque!

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A Arte da Lembrança – A Saudade na Fotografia Brasileira

Marcio Távora (Fortaleza, CE, 1979) Mesa, Hotel Columbia Palace, São Paulo, SP, 2011 pigmento mineral sobre papel algodão | coleção do artista (Foto: reprodução/Itaú Cultural)

Marcio Távora (Fortaleza, CE, 1979) Mesa, Hotel Columbia Palace, São Paulo, SP, 2011 pigmento mineral sobre papel algodão | coleção do artista (Foto: reprodução/Itaú Cultural)

A saudade em suas mais variadas formas e significados. Tendo como inspiração um dos sentimentos mais universais e inexplicáveis, a exposição A Arte da Lembrança – a Saudade na Fotografia Brasileira propõe um percurso iconográfico pelas obras de alguns dos mais representativos fotógrafos brasileiros. Com entrada gratuita, a exposição fica em cartaz, na sede do Itaú Cultural, do dia 24 de janeiro, a partir das 14h, até 8 de março de 2015.

A exposição reúne 110 imagens de 36 fotógrafos, incluindo duas videoprojeções, registradas entre os anos 1930 até os dias atuais. Elas levam à tona, de forma poética, diferentes ângulos da saudade. Entre os participantes da coletiva estão Wagner Almeida, Voltaire Fraga, José Oiticica Filho e Gilvan Barreto.

 

Kurt Klagsbrunn (Viena, Áustria, 1918 – Rio de Janeiro, RJ, 2005) Diante do Cinema, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ, 1946 pigmento mineral sobre papel algodão | (Foto: reprodução/Itaú Cultural)

Kurt Klagsbrunn (Viena, Áustria, 1918 – Rio de Janeiro, RJ, 2005) Diante do Cinema, Cinelândia, Rio de Janeiro, RJ, 1946 pigmento mineral sobre papel algodão | (Foto: reprodução/Itaú Cultural)

Mas quais relações a saudade pode manter com a fotografia brasileira contemporânea? Com curadoria de Diógenes Moura, a mostra pode ser considerada uma viagem por meio de registros que englobam temas pessoais e universais como as cidades e suas demolições; os objetos vazios à mercê da poeira do passado; a ausência de um ente querido, entre outras imagens congeladas no tempo.

 

De 24 de janeiro  à 8 de março de 2015
De terça a sexta, das 9h às 20h
Aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada Franca

Itau Cultural – Avenida Paulista, 149 – São Paulo – SP

Fonte: http://novo.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/a-arte-da-lembranca/